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A Ocupação
Sustentável da Amazônia Brasileira
Talvez os sistemas
agroflorestais sejam tão importantes que podem ser
a solução para a agricultura e a ecologia mundial
“
Na Amazônia,
a maior bacia sedimentar hidrográfica do mundo, a opção
pela utilização destes grandes consórcios
e sistemas Agroflorestais e Permaculturais é vital
para a atividade humana e econômica tradicional na região.
Com a retirada da floresta nativa, todos os componentes dos
solos começam a ser carreados pelas fortes chuvas.
Assim, como os recursos de capital para a adubação
são escassos, pois até o calcáreo é
algo valioso em todos os estados amazônicos, o agricultor
convencional que chega do sul e do sudoeste planeja sua propriedade
com a derrubada das melhores árvores, venda barata
da madeira, queima da resteva, aplicação de
herbicida, uso de trator de alta potência com arado
de disco, e aí procede a semeadura de pastagens artificiais.
Algumas Castanheiras, Freijós, Ingás-cipó,
Mognos, de maior porte são deixados na pastagem de
maneira isolada.
Em menos de 10 anos normalmente todas estas árvores
perecem, pois perdem as suas relações comensais
ou de associação ecológica com as demais
espécies, dizem que as espécies florestais amazônicas
são plantas comensais e que necessitam de consórcios
e combinações para assegurar o transporte e
reciclagem de substâncias e sua manutenção
e diversidade genética. A Seringueira e a Castanheira
e o Cacau são
exemplos desta realidade: monocultivos de Seringueira no Brasil,
pelo que foi observado, sempre acabaram sendo desestimulados
devido ao forte ataque de doenças e pragas.
Muitos solos da
Amazônia, possuem uma camada compactante de depósitos
de cascalho e sedimentos chamada de plintita, que aumenta
a capacidade de erosividade superficial e é uma da
principais causas da degradação acentuada dos
solos amazônicos. De acordo com estudos da RADAM em
1970 chegou-se a conclusão que 10 % dos solos amazônicos
possuem condições de serem utilizados somente
para a produção agrícola mais homogênea
e que os 80 % restantes devem ser utilizados de forma consorciada
com a floresta ou com Sistemas Agroflorestais.
Os Sistema Agroflorestais
se aplicados nesta região trazem uma maior possibilidade
de que seja realizado um manejo mais sustentável da
floresta. É bem possível que muitos fazendeiros,
produtores, comunidades e assentamentos tenham necessidade
de produzir grãos como Feijão, Guandu, Caupi,
Amendoim, e Milho, ou o Arroz e o gergelim e não disponham
de terreno aberto para fazerem suas operações
de plantio, por isso que é interessante a consorciação
com a realidade da presença da floresta e de seus números
recursos florestais. Pode-se retirar muito alimento, lenha,
produtos medicinais que alcançam um bom preço
quando extraidos da região.
Pois é recomendado
através da Agroecologia, Biodinâmica e da Permacultura,
que sejam separadas partes isoladas, de relevo plano, mais
próximas a estradas e que possuam solos mais férteis
e menos ácidos para que sejam implantados os sistemas
Silvo-pastoris e Agroflorestais mais sustentáveis.
São locais onde apenas são retiradas as madeiras
de médio porte e vegetação normalmente
considerada tóxica ao gado. Busca-se também
preservar-se as Toras Milenares. Estas são mantidas
por que podem continuar oxigenando o tecido vital, orgânico
e biológico do solo em níveis regulares semelhantes
à floresta nativa, e são as unidades de vegetação
consideradas as produtoras de sementes e por isso podem ser
úteis na manutenção da floresta. Determinadas
espécies são cortadas, transportadas e retiradas
sob autorização do IBAMA para que entre estas
árvores maiores possam ser semeadas determinadas pastagens
produtivas como o Colonião, Capim Angola, Quicuio-da-amazônia,
Andropógon, Capim Jaraguá, se possível
em consórcio com leguminosas
como os Estilosanthes, Desmodium, Centrosema, Calopônio,
entre outras espécies, ou que possam ser efetuados
os cultivos agrícolas.
Nesta etapa o agricultor pode separar a madeira que não
vai vender em pilhas ordenadas que formarão compostos
orgânicos e fontes produtoras de húmus e de muita
atividade biológica - isto é interessante e
muito melhor para a manutenção da energia vital
e da organicidade do ambiente do que apenas serem feitas as
operações de queima dos cipoais, restos de galhos,
raízes, e árvores e madeira de menor porte.
São normalmente
manejadas faixas entre 30 a 150 metros que formam corredores
de pasto consorciado com a floresta. Nestas áreas há
o cuidado de manter-se os animais não desenvolvendo
o sobrepastejo ou o arranquio e o pisoteio excessivo das forragens
cultivadas, por isso também a importância de
que estas áreas sejam cercadas e
rotacionadas.* Preferencialmente estas cercas podem ser implementadas
com a ajuda da própria floresta, deixândo-se
faixas de no mínimo 10 metros, onde é importante
também o aproveitamento da beirada de rios e com a
introdução de espécies que limitam bem
os terrenos e formam faixas mais densas de pequenas zonas
vegetadas como os Buritizais (plantio adensado de 2 x 2 ms),
Freijós com Coqueiros, Palmeiras,
Mangueiras, Jaqueiras, Pupunha consorciada com Taperebá,
Eucalipto, em consórcios com combinações
e espaçamentos variados porém que possuam uma
disposição na área mais retinílea
e vigorosa.
Como não
há energia elétrica os sistemas Voisin podem
ser adaptados para a rotação de pastagens separadas
por faixas da floresta mais inacessíceis ao gado ou
protegidas por cerca de arame.
Cercas vivas também
podem ser feitas com uma semeadura bem adubada de Leucena,
10 linhas semeadas continuamente, numa densidade de 20 sementes
por metro linear e espaçadas 50 cm, e que acabam formando
faixas de 5 ms de largura, elevadas 3 metros do solo em média
e que são protegidas inicialmente por cercas de arame
farpado. Pode ser cortada nos dois primeiros anos e servida
diretamente no solo, nas horas mais quentes do dia, para o
gado comer, ruminar e receber uma
dose maior de nitrogênio e de nutrientes. Sementes e
mudas também de espécies arbóreas leguminosas
como o Ingá-cipó, Erytrina ou Mulungu, Caliandra,
e frutíferas nativas como o Tucumâ, a palmeira
Inajá, podem ser semeadas ou plantadas de maneira casual
no terreno e serão também consumidas pelo gado.
Bancos de proteínas são indicados em piquetes
mais abertos e são ótimas opções
para o gado que está em período de gestação
e lactação, onde o Guandu é a espécie
de maior
destaque, seguida de diversas espécies de Crotalárias.
E são cultivadas ainda em áreas médias
de 5.000 metros as Capineiras de Capim-elefante ou o Capim-napier
e os muito produtivos Canaviais. Estas capineiras podem inclusive
ser bem manejadas virando um pasto de muito vigor e ótima
fonte de nutrientes o ano inteiro - basta que
sejam sempre podadas as touceiras de capim-elefante pelo próprio
gado em uma altura básica de 20 cm para rebrotar. A
Introdução do gado é realizada quando
o capim alcança uma altura de 60 cm em média,
e ele deve estar bem firme no solo e bem brotado.
As lavouras possuem
também árvores porém são mais
abertas e em terrenos mais planos. Podem ser adubadas com
calcáreo, cinza, composto, fosfato composto, se o terreno
é deficiente em fertilidade natural pode ser utilizada
a adubação mineral baseada no NPK. Cultiva-se
o Milho consorciado com o Feijão-de-porco, Mucuna,
Guandu, Feijão, Mandioca, Cana, Café, Seringueira,
Pupunha, Cupuaçu, e
sequencialmente vão sendo cultivadas outras espécies
mais arbustivas e de menor porte como o Maracujá, Abacaxi,
Vetiver, Pimenteira, Açaí, e trepadeiras como
o Guaraná, entre outras.
Porém normalmente
o pequeno agricultor possui uma área menor, bastante
fechada, úmida e começa sempre cultivando a
Mandioca em linhas, a Batata-doce na periferia do terreno,
a Bananeira espalhada em locais mais férteis, e o Milho,
o Arroz e o Feijão sendo semeado em linhas paralelas
e consorciadas. Encontra-se nestes terrenos
também a Pupunha, o Cupuacú, Açaí,
Citrus, Cana, Ervas Medicinais, Quiabo, Abóbora, Inhame,
Taioba e Melancia. Assim, lentamente o agricultor pode montar
seus Sistemas Agroflorestais, adquirindo assim maior eficiência
e produção mais iversificada e segura, que vai
proteger a matéria orgânica dos seus solos. São
incentivados o
cultivo da Castanheira, Seringueira, diversas espécies
de Coqueiros e Palmeiras como o Côco, Açai, Babaçu
e espécies como o Freijó, Mogno, Jacarandá,
Ingá-cipó, Eucalipto, Copaíba, Pau Rosa,
Cupuaçu, Pupunha, Guaraná, Algaroba, Banana,
Café, Cacau, Carambola, Citrus, Pimenteira, Urucum,
Vetiver, Milho, Mandioca, Feijão, Batata-doce, entre
outras.
Há muito
mercado para a Castanha ainda mal organizado em termos de
distribuição pelo país e exportação,
além de frutas que podem ser produzidos sucos e polpas
naturais com alta vitalidade e teores vitamínicos,
produtos verticalizados como a Borracha e sua mais recente
e muito exponencial indústria de Couro Vegetal, Café
- a
Colômbia é o maior produtor de Café sombreado
do mundo, Guaraná – a Amazônia é
sua maior produtora mundial, Passas-de-Banana, Manga, Abacaxi,
Mamão, polpas, essências medicinais como Copaiba
e Andiroba, centenas de ervas medicinais com potencial agroindustrial
e farmacológico, e inúmeros remédios
caseiros e industriais e um belíssimo artesanato.
O Brasil deveria
ter um pólo de desenvolvimento científico para
pesquisar o potencial farmacológico dos diversos princípios
ativos encontrados nesta região. Ainda mais que está
ocorrendo uma corrida ao patenteamento mundial de descobertas
científicas e tecnológicas. Aí está
a importância da Universidade Brasileira.
Uma politica de
desenvolvimento correta para região seria incentivar
a organização da produção cooperativa
da Borracha, sua industrialização correta, seleção,
estudo e pesquisa de seus produtos que possuam qualidade industrial
e que sejam interessantes para a distribuição
interna ao Brasil e para outros países e mercados.
O
cultivo do Guaraná, Castanha e sua agroindustrialização,
Café, Borracha, Mandioca, Cacau - chocolate, espécies
para a industrialização de polpas, determinadas
ervas, essências e óleos medicinais, agroindustrialização
da Banana, pode ser a solução para o desemprego,
baixa arrecadação de impostos e combate a miséria
e ao seu subdesenvolvimento - uma grande e correta opção
de agroindustrialização mais sustentável
da região do que apenas a retirada da madeira e a implantação
de monocultivos de pastagens e de produção de
gado. Possivelmente, em 20 anos, o Brasil teria um balanço
comercial fantástico com a venda destes produtos e
politicamente, seria reconhecido internacionalmente pelo desenvolvimento
social e sustentável que promoveria nesta grande região.s.
Fonte:
Ambiente Brasil
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