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ESTUDO MOSTRA NOVOS DADOS DA DEGRADAÇÃO AMBIENTAL DO PLANETA

O jornal inglês The Guardian revelou nesta semana a existência de um estudo que mostra novas estimativas da degradação ambiental do planeta. Preparado para a reunião da OCDE - Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, que aconteceu no mês passado e reuniu os países mais ricos do mundo, o relatório revela que o nível real de desigualdade e degradação ambiental no mundo pode estar bem pior do que dizem as estimativas oficiais.

Segundo o estudo, o mundo perdeu quase 10% de suas florestas por ano nos últimos 10 anos; as emissões de dióxido de carbono que levam ao aquecimento global devem crescer 33% nos países ricos e 100% no resto do mundo, nos próximos 18 anos, e que serão necessários 30% a mais de água potável no ano 2020.

O relatório foi baseado em estudos anteriormente desconhecidos da Organização das Nações Unidas, da Organização Mundial de Comércio, do Banco Mundial e de acadêmicos. O documento calcula que menos de 0,1% da renda média dos 22 países membros da OCDE chega realmente aos países de baixa renda e apenas 0,05% foram para os países menos desenvolvidos.

O relatório também revela que a extinção de espécies atinge 11% dos pássaros, 18% a 24% dos mamíferos, 5% dos peixes e 8% das plantas. E acrescenta que os países da OCDE subsidiam a emissão de gases do aquecimento global com US$ 59 bilhões - quase exatamente o que o estudo calcula que custaria o cumprimento das metas internacionais. O estudo sugere que investir dinheiro para reduzir as emissões que provocam mudanças no clima quase não teria efeito sobre a economia global.
(Informações The Guardian)

Brasília – O governo brasileiro anuncia hoje a criação do maior parque de floresta tropical em todo o mundo, Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, situado no Estado do Amapá. Com uma área florestal de 38.867 km2 (ou 3,8 milhões de hectares), o Parque do Tumucumaque protege, sozinho, quase 1% da Floresta Amazônica. A criação do Parque do Tumucumaque tem o apoio do WWF-Brasil, que vai destinar US$ 1 milhão para ajudar o governo a implementá-lo nos próximos anos. O anúncio faz parte de um conjunto de medidas ambientais divulgadas pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso.

A criação do novo Parque é mais um passo dado pelo governo brasileiro para o cumprimento da promessa feita em 1998 pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso de proteger no mínimo 10% da Floresta Amazônica. O compromisso significava triplicar as áreas de proteção integral existentes naquela época. A promessa foi uma resposta à Campanha “Terra Viva 2000” do WWF, que propunha a meta de 10% para a proteção de todas as florestas do mundo. O compromisso brasileiro foi um dos 44 registrados em todo o mundo pela Campanha.

O custo da implementação do Parque do Tumucumaque ainda não foi definido, mas será coberto por uma parceria envolvendo o governo brasileiro, o Banco Mundial, o GEF (Global Environment Facility) e o WWF, entre outros. A parceria irá beneficiar também outras áreas protegidas existentes e a serem criadas na Amazônia, viabilizando o Programa ARPA (Áreas Protegidas da Amazônia), que está sendo finalizado e será anunciado em Johanesburgo, durante a Cúpula para o Desenvolvimento Sustentável que começa no próximo dia 26. Os recursos doados pelo WWF-Brasil ao Tumucumaque (US$ 1 milhão) já como parte desse programa serão destinados à demarcação da área, elaboração do plano de manejo, implementação de infraestrutura básica e aquisição de equipamentos, a serem realizados pelo Ibama.

O novo Parque do Tumucumaque é quase do tamanho do estado do Rio de Janeiro; é maior do que a Bélgica e quase do tamanho da Suíça. Com a sua criação, o total de Floresta Amazônica protegida integralmente sobe dos atuais 139,4 mil km2 (13,9 milhões de hectares, ou 3,4% do total) para 178,3 mil km2 (17,8 milhões de hectares, 4,4% do total). O novo Parque é 60% maior que o Parque Nacional do Jaú (AM), até então o maior do Brasil, e supera em tamanho o Parque Nacional Salonga, na República Democrática do Congo (África), que detinha o título de maior do mundo no gênero. Ele está situado no extremo norte do País, na região noroeste do estado do Amapá, na fronteira com a Guiana Francesa e o Suriname – onde a borda oriental do planalto das Guianas dá lugar à Serra do Tumucumaque, logo acima do Equador. Por estar em região de fronteira, o Conselho de Defesa Nacional foi consultado a respeito e aprovou a criação do novo Parque.

O Parque foi criado em terras cedidas pelo Incra e vai proteger uma área prioritária para a conservação da biodiversidade, que foi mapeada a partir de estudo técnico do Ibama em parceria com o WWF-Brasil, segundo indicações do Programa Nacional de Diversidade Biológica (Pronabio) do Ministério do Meio Ambiente. Além de participar dos estudos que identificaram a área, o WWF-Brasil organizou um painel com 20 especialistas que ajudaram a complementar as informações de campo necessárias para a definição da área.

A paisagem local é de grande beleza e se caracteriza por uma mata tropical densa e ondulada, permeada de grandes rochedos de granito, em formatos que lembram o Pão de Açúcar e que, muitas vezes, têm o topo coberto de floresta. As formações rochosas chegam a atingir mais de 700 metros de altitude. Essa pode ser a explicação da origem do nome Tumucumaque que, na língua indígena das tribos Apalaí e Wayana, que habitam a região, significa “a pedra no alto da montanha que simboliza a luta entre os pajés e os espíritos”. Garo Batmanian, secretário-geral do WWF-Brasil e doutor em Ecologia, avalia que “o parque do Tumucumaque vai atrair visitantes do mundo inteiro para a Amazônia brasileira e terá um papel importante no desenvolvimento da indústria do turismo no estado do Amapá”.

A área do Parque é praticamente desabitada. Segundo a Funai, não há qualquer aldeia indígena no interior do Parque, o que foi confirmado pelos sobrevôos realizados. As únicas presenças humanas detectadas foram alguns raros pontos de garimpo de ouro e casseterita às margens do rio Jari, um dos limites do Tumucumaque. O Parque é de difícil acesso: os rios da região são encachoeirados, o que inviabiliza o acesso por barco na maior parte do ano, e não há estradas – atualmente a melhor forma de acesso ao Parque é pelo ar, em pequenos aviões. Em decorrência disso, a floresta é primária e se mantém inalterada. Os rios do interior do Parque apresentam numerosas quedas d’água, contribuindo para a beleza da paisagem.

Os estudos indicam que se trata de uma área muito rica em diversidade de paisagens e espécies. Os especialistas acreditam que a área inclua muitas espécies desconhecidas e outras endêmicas (que só são encontradas naquele local), principalmente peixes e aves aquáticas, e também numerosas espécies de primatas e outros mamíferos como preguiças, onças, pacas e cotias, além de tracajás (tartarugas de rio) e aves como o gavião real. A floresta protege a nascente e todas as cabeceiras da margem direita do rio Oiapoque, conhecido marco norte do Brasil, e da margem esquerda do rio Jari. A flora inclui algumas áreas de vegetações montanhosas caracterizadas pela grande variedade de espécies.

Com a assinatura do decreto de criação do Parque do Tumucumaque pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso, o Ibama vai nomear um diretor para a área e construir uma base que permita realizar o levantamento científico detalhado do novo Parque - principalmente coletando dados biológicos sobre a fauna e flora locais. Definidos os potenciais da unidade, o passo seguinte é a elaboração de um Plano de Manejo que oriente o uso da área e a implantação da infra-estrutura básica do Parque – construção de postos de vigilância nos possíveis pontos de acesso, aquisição de barcos, rádios e outros equipamentos – e a designação de um número mínimo de guardas para fiscalizar a área. Inicialmente, a visitação do Parque estará restrita a cientistas.

Os Maiores Parques Nacionais do Mundo em Áreas de Florestas Tropicais

Parque Nacional (País) - Área em km2
Tumucumaque, Amapá (Brasil) - 38.867
Salonga (República do Congo) - 36.560
Kaa-iya (Bolívia) - 34.411
Parima-Tapirepec (Venezuela) - 34.420
Canaima (Venezuela) - 30.000
Gunung Lorentz (Indonésia) - 25.050
Jaú, Amazonas (Brasil) - 22.720
Pico da Neblina, Amazonas (Brasil) - 22.000
Madidi (Bolívia) - 18.957
Manu (Peru) - 17.000
Fonte: Ibama e WWF