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Devastação
da natureza fará nível de vida cair, diz WWF
GENEBRA - A humanidade
está se encaminhando para uma grave redução
no padrão de vida que ficará clara antes da
metade do século, por conta da exploração
massiva dos recursos naturais da Terra, segundo um relatório
divulgado nesta terça-feira em Genebra. O documento,
elaborado pelo Fundo Mundial da Natureza,
o WWF, está sendo divulgado a 50 dias da próxima
Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento
Sustentável, em Joanesburgo, na África do Sul.
Segundo o relatório,
por ano, o ser humano está usando 20% mais recursos
naturais do que o planeta é capaz de repor. Ao levar-se
em conta o ritmo de crescimento populacional, de evolução
tecnológica e desenvolvimento econômico, a pesquisa
conclui que, em 2050, a humanidade estará consumindo
o dobro da capacidade biológica da Terra. Ou seja,
seriam necessários dois planetas para surprir de maneira
sustentável a demanda de recursos naturais.
O documento, intitulado
'Relatório Planeta Vivo 2002', afirma haver tanta pressão
sobre o abastecimento de água, florestas, terras férteis
e fontes de energia, que dentro de 150 anos o planeta poderia
estar exausto.
- Se esta tendência
não for controlada imediatamente, no ano de 2050 os
seres humanos consumirão entre 180% e 220% da capacidade
biológica da Terra - advertiu o diretor-geral do WWF,
Claude Martin, em uma entrevista.
Segundo Martin,
os especialistas que elaboraram o relatório consideram
que a menos que os governos adotem urgentemente as ações
necessárias de preservação, a partir
do ano de 2030, o mundo começará a experimentar
um declínio do bem-estar humano, medido pelo padrão
de vida, pelo nível educacional e pela produção
econômica.
O diretor-geral
do WWF diz que, nesse contexto, a Cúpula da Terra de
Joanesburgo,
torna-se fundamental.
- A necessidade
de conservar os recursos naturais do planeta é evidente
para todos, mas é cada vez mais difícil tomar
decisões políticas - disse Martin.
O relatório
ressalta que a Terra tem cerca de 11.400 milhões de
hectares de áreas produtivas de terra e mar, o que
implica que o planeta tenha uma capacidade biológica
de 1,9 hectares para cada uma das 6 bilhões de pessoas
que habitam o planeta.
O consumo médio
de recursos naturais é de 2,3 hectares por pessoa por
ano, ou seja, cerca de 20% além da capacidade disponível,
apontou o estudo.
O Índice
Planeta Vivo (IPV), incluído no relatório e
usado para medir a qualidade ambiental, mostra que a pressão
de consumo atual é insustentável para a sobrevivência
de diversas espécies de animais. O índice, baseado
nas tendências populacionais de centenas de espécies
de pássaros, mamíferos, répteis, anfíbios,
peixes e florestais, caiu 37% nos últimos 30 anos.
O declínio
das espécies de água doce tem sido particularmente
dramático. De 195 espécies pesquisadas, houve
uma queda média de 54% nas populações.
Em 217 espécies marinhas, as populações
diminuíram em média 35%. Entre as espécies
florestais, nas 282 analisadas houve um declínio médio
de 15%.Segundo
o relatório, os principais responsáveis pela
pressão sobre o ambiente são Estados Unidos,
Canadá, Japão, os países da União
Européia. Mas países em desenvolvimentos também
têm sua parcela de culpa.
- A última
década testemunhou incêndios em escalas sem precedentes
em florestas
tropicais do Brasil e da Indonésia - disse Martin,
lembrando também o extermínio de recifes de
coral no Caribe, Oceano Índico e Pacífico.
Um dos autores
do relatório, Jonathan Loh, explicou que os governos
podem reverter algumas destas tendências negativas aplicando
algumas medidas, como a utilização de energias
renováveis em vez da queima de combustíveis
fósseis, restauração dos ecossistemas
naturais e adoção do modelo de desenvolvimento
sustentável.
Agências
internacionais
Fonte:
http://globonews.globo.com/GloboNews/article/0,6993,A337232-1849,00.html
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