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O El Niño provocará seca rigorosa ao nordeste em 2003

Fenômeno climático causado pelo aquecimento das águas oceânicas pode provocar mais uma seca rigorosa no sertão nordestino no próximo ano e obrigar o governo a tomar medidas de emergência para a região.

Esta é uma das conclusões da 9ª Reunião de Análise Climática do Nordeste, que reuniu desde quinta-feira em Brasília membros do Ministério da Integração Nacional e 22 técnicos e especialistas em meteorologia para traçar um prognóstico climático do Nordeste.

De acordo com o coordenador-geral do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Carlos Nobre, os resultados da reunião são um alerta para o próximo governo.

“O ano de 2003 pode tornar-se uma preocupação. O próximo governo tem que se preparar para tomar medidas institucionais de emergência”, disse Nobre.

Segundo as informações do relatório apresentado ontem, as águas do Oceano Pacífico estão um pouco mais quentes do que o normal (entre 0,5 e 1,5 grau centígrado), o que indica que até o início de 2003 o El Niño atuará com intensidade moderada.

Em fevereiro e março de 2003, porém, o fenômeno pode ser agravado, e corre-se o risco de que as chuvas no Nordeste precipitem-se com intensidade abaixo da média.

As previsões indicam, no entanto, que, apesar da possibilidade da seca no Nordeste em 2003 ser mais intensa que este ano, o El Niño do ano que vem virá em intensidade muito menor do que em 1997 e 1998, quando o fenômeno provocou a pior seca do Nordeste nos últimos 150 anos, o que deflagrou uma onda de saques, além de provocar um grande incêndio em Roraima.

Este ano as chuvas na região foram consideradas normais e segundo a avaliação de Nobre a seca foi branda.

“Tivemos regiões com poucas chuvas e regiões com boas chuvas. Isso é típico, é o que sempre acontece”, explicou Nobre.

Em algumas partes do Nordeste, como sul da Bahia, sertão de Alagoas, Sergipe e Rio Grande do Norte, as precipitações ficaram abaixo da média normal, o que pode levar os açudes da região a secarem até o fim do ano.

Para tentar amenizar os efeitos da seca, o governo liberou na quinta-feira R$ 10 milhões destinados à distribuição de água para seis Estados do Nordeste que têm áreas em estado de calamidade pública.

Os recursos seriam formalizados em uma medida provisória, que acabou não sendo publicada no Diário Oficial desta sexta-feira.

Segundo Nobre, o dinheiro deve vir de recursos excedentes que já estão disponíveis para o Ministério da Integração.

“Para agilizar o processo o presidente Fernando Herique Cardoso sugeriu que utilizássemos recursos já disponibilizados”, explicou Nobre.(A Tarde On Line)