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Despejo
de lixo químico expõe população
do Rio
Em torno da refinaria
instalada em Duque de Caxias, na região da Baixada
Fluminense, no Rio de Janeiro, nasceram desordenadamente indústrias
químicas de grande porte como a Petroflex, a Nitriflex
e dezenas de pequenos e médios fabricantes de resina,
tinta, vela e parafina. A poluição crônica
soma-se a um risco agudo de acidentes numa área de
dois mil quilômetros quadrados, forçando 2,9
milhões de pessoas a viver numa perpétua roleta-russa.
“Um acidente grave pode explodir o Rio de Janeiro. E
quem vive ali não tem idéia disso”, alerta
a coordenadora do programa de Saúde do Trabalhador
na Secretaria de Saúde do Estado, Fátima Neto
Ribeiro. (Isto É, Ciência & Tecnologia, 4
de setembro – Ricardo Miranda)
Química verde - uma nova filosofia
A química
tem hoje uma grande presença em nossas vidas, pois
é responsável por inúmeros produtos importantes
para a humanidade, desde diversos medicamentos até
combustíveis que movimentam carros e aviões.
No entanto, as atividades ligadas à química
muitas vezes trazem graves prejuízos à natureza
e ao próprio homem. Nos últimos anos, porém,
uma nova filosofia para a química vem tomando grande
força: a chamada 'química verde' ou 'química
sustentável', que tem como alguns de seus princípios
evitar ao máximo a geração de rejeitos
e utilizar processos mais seguros para o meio ambiente.
A química está muito presente em nossas vidas:
nas roupas, nos alimentos, em medicamentos, nos combustíveis
de carros e aviões, em inúmeros materiais sintéticos
e em diversos outros produtos. Em 2000, as vendas da indústria
química, em todo o mundo, alcançaram mais de
US$ 1,59 trilhão. O Japão, os países
da Europa ocidental e os Estados Unidos responderam por 2/3
desse total. No Brasil, no mesmo ano, a indústria química
obteve um faturamento de US$ 42,6 bilhões.
O impacto da química sobre o meio ambiente é
enorme, em função dos rejeitos dos processos
industriais, que muitas vezes trazem sérios e irreversíveis
prejuízos ao homem e à natureza. A questão
ambiental, que abrange os problemas gerados pelo setor químico,
vem sendo intensamente debatida no mundo e no Brasil nos últimos
20 anos. São fatos marcantes desse período a
conscientização da sociedade quanto às
agressões à natureza e sua participação
em iniciativas que visam reduzir o processo, como a reciclagem
(de papel, vidro, alumínio etc.), além de programas
como 'Produção Limpa' (da Organização
das Nações Unidas) e 'Atuação
Responsável' (da Associação Brasileira
da Indústria Química), e a atitude de muitos
setores produtivos no sentido de reduzir a liberação
no ambiente de substâncias poluentes.
Um dos resultados relevantes dessa nova atitude é a
diminuição nas emissões de certos produtos
químicos. A indústria química ainda é
uma das principais fontes de materiais poluentes do planeta,
mas cientistas dessa área, em todo o mundo, vêm
procurando modificar essa situação. Recentemente,
a palavra 'verde' passou a ter um novo significado para a
química.
Atualmente, a indústria química tem procurado
adotar uma postura de redução, prevenção
ou eliminação dos resíduos de processo.
A reutilização desses resíduos e a substituição
de um produto tóxico por outro que tenha a mesma finalidade,
mas não cause qualquer impacto ambiental, também
fazem parte dessa filosofia 'verde'.
Tradicionalmente, ao final de um processo químico o
rejeito era encaminhado a uma unidade de tratamento, encarregada
de adaptar as substâncias nele contidas aos parâmetros
estabelecidos pelas leis de proteção à
saúde e ao meio ambiente. Agora, a 'química
verde' (ou 'química limpa') procura resolver esse problema
através da adoção de alternativas que
reduzam a própria geração de rejeitos,
mas sem desconsiderar a importância do tratamento dos
efluentes e da destinação adequada para os resíduos
químicos ainda perigosos (incineração,
depósito em aterro sanitário etc.).
Ciência Hoje
185, agosto 2002
Antonio M. Sanseverino
Escola de Ciências Biológicas
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