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TEIA DE ARANHA PODE SER MATÉRIA-PRIMA PARA A INDÚSTRIA

As histórias em quadrinhos e o cinema chegaram a imaginar uma teia de aranha tão resistente que permitisse a um super-herói deslocar-se entre os prédios da cidade em alta velocidade apenas seguro pelos fios de proteína. Mas nem mesmo a melhor das ficções conseguiu imaginar que as finas redes para capturar insetos pudessem ser usadas como instrumento de defesa. Pesquisando os cientistas descobriram que teias de aranha são tão resistentes quanto o aço e podem substitui-lo com vantagens, porque são muito mais flexíveis. O fitopatologista Elíbio Leopoldo Rech Filho, da Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), da Embrapa, demonstrou no Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), a viabilidade de utilização das teias ou, cientificamente, da produção de biopolímeros isolados de aranhas da biodiversidade brasileira. De acordo com Rech, as aranhas nacionais são capazes de dar origem a um produto que teria larga aceitação no mercado. O fio poderia ser empregado na confecção de coletes à prova de balas mais leves e igualmente resistentes, na fabricação de pára-choques capazes de suportar grandes impactos e até na indústria farmacêutica. O problema é que a aranha, embora confeccione um fio altamente resistente e, portanto, de fácil comercialização, produz em quantidades reduzidíssimas. A solução, então, seria clonar os genes responsáveis pelo biopolímero e desenvolver outros sistemas para produção. A pesquisa, segundo o especialista, tem larga viabilidade comercial. O exército americano, por exemplo, comprou o projeto desenvolvido em laboratórios canadenses para produção do fio de aranhas e detém a patente. De acordo com Rech, isso não nos impede de pesquisar ou desenvolver técnicas de utilização da teia de espécies nacionais. Ele acredita que, entre a pesquisa e a colocação do produto no mercado, seriam necessários pelo menos três anos de trabalhos. O estudo e o desenvolvimento da técnica tem o apoio da Embrapa, das universidades Estadual de Campinas (Unicamp), de São Paulo (USP), de Brasília (UnB), Instituto Butantã, e Ministério da Defesa. (Agência Brasil)