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Orgulho Nacional
Nossa música tem muitas histórias. Vicente Celestino, por exemplo, representa a mais longa e ininterrupta carreira de intérprete. Foram 54 anos de vida artística, contados a partir de 1914, ano em que estreou na Companhia do Teatro São José. Quando ele morreu, às vésperas de completar 74 anos, estava de saída para um show com Caetano Veloso e Gilberto Gil. Suas últimas palavras foram sussurradas: “Por favor, não me deixem morrer”!
Antônio Vicente Filipe Celestino nasceu no Rio de Janeiro, em Santa Teresa. De origem humilde trabalhou desde os oito anos, como: sapateiro, vendedor de peixe, jornaleiro e chefe de seção numa indústria de calçados. Ele começou cantando para amigos e vizinhos e, aos poucos, se tornou conhecido no bairro.

Assistia às companhias líricas que se apresentavam no Rio de Janeiro e tinha Enrico Caruso entre os seus ídolos. Aos 20 anos estreou, profissionalmente, no Teatro São José, solando a valsa “Flor do Mal”. Essa foi a sua primeira gravação que, em 1916, vendeu milhares de cópias. A partir de 1920, ele formou companhias de revistas e operetas com atrizes-cantoras, como Laís Areda e Carmen Dora. As excursões pelo Brasil aumentaram sua popularidade. Vicente Celestino já reinava absoluto como ídolo da canção.
Na fase mecânica de gravação, Vicente fez cerca de 28 discos com 52 músicas. No Brasil, ele foi um dos pioneiros no sistema elétrico de gravação, lançando sucessos como “Santa” e “Noite Cheia de Estrelas” . Contratado pela RCA VICTOR gravou, em 78 RPM, 137 discos com 265 músicas, 10 compactos e 31 LPs. Na década de 30 revelou-se compositor, tornando-se conhecido com “O Ébrio” que foi transformado, em 1946, num dos filmes de maior bilheteria do país, dirigido por sua esposa Gilda de Abreu, cantora, escritora, atriz e cineasta.
Nosso genial Vicente Celestino enfrentou todas as fases e modismos, cantando sempre no Brasil. Ele foi ídolo de quatro gerações e cantou, sempre em seu estilo “vozeirão” de tenor, músicas mais modernas e de caráter intimista, como canções da bossa nova (“Se Todos Fossem Iguais a Você”) . Em pleno tropicalismo, Caetano Veloso regravou “Coração Materno”. Sua voz possante e bela conferia às canções nova roupagem, devido a sua interpretação. Moço simpático e simples que cantou, com a alma e o coração, arrebatou multidões. Ele foi uma autêntica glória nacional. Tanto que foi eleito pelo povo como “A Voz Orgulho do Brasil”.
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