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Não tem abuso sexual de crianças!

É estarrecedor, mas acontece! Crianças e adolescentes são abusados por adultos que buscam prazer sexual, com ou sem contato físico. O pior é que, em geral, isso acontece dentro da própria família, abrangendo todas as classes sociais e sendo, quase sempre, praticado por alguém que a criança conhece, confia e ama, ou seja, o pai, padrasto, tio, avô, ou alguém íntimo da família. É difícil saber se a criança foi ou não abusada sexualmente porque o agressor raramente deixa marcas físicas, mas marca a criança para toda a vida. Quem abusa não age com violência, mas usa das armas da sedução e da ameaça velada. A mãe freqüentemente sabe, ou pressente o que acontece, mas não faz nada por medo ou por não acreditar que aquilo seja possível. Embora a criança tente falar com a mãe, ela não acredita. Por outro lado, a vítima sofre com medo, culpa e remorso. Afinal, seu abusador é uma pessoa que ela ama e, por isso, não consegue entender o que está acontecendo. Para combater o abuso sexual intrafamiliar é preciso aceitar que ele é freqüente e pode acontecer em todas as famílias. Também é fundamental que a criança aprenda a conhecer o próprio corpo desde pequena. E, ainda, é preciso que as mães acreditem nos filhos, mesmo que lhes pareça absurdo o que estão contando.
Quem é o abusador? Quase sempre uma pessoa comum: alguém que pode ter uma profissão de destaque, uma família e até ser repressor e moralista, enfim, aos olhos da sociedade pode ser considerado “um indivíduo normal”. O abusador é perverso, por isso engana a todos sobre sua parte doente. Ele necessita da fantasia de poder sobre sua vítima, usa das sensações despertadas no corpo da criança ou adolescente para subjugá-la. Covarde, ele tem muito medo e sempre vai negar o abuso quando for denunciado ou descoberto.
Se o abuso sexual pode ocorrer desde os primeiros anos de vida, medidas preventivas e de proteção à criança devem ser aplicadas precocemente. Por isso, os pais devem estar bem informados sobre a realidade do abuso sexual contra crianças. Também ouvir seus filhos e acreditar neles, dispondo do tempo necessário para conversas. É importante saber com quem a criança ou adolescente costuma ficar nos momentos de lazer. Conhecer seus colegas e os pais deles. Procurar informar-se sobre o que sabem e como lidam com a questão da violência e do abuso sexual os responsáveis pela creche, pela escola, pelos programas de férias. É importante fazer o mesmo com o pediatra, o conselheiro religioso, a empregada e a babá. Entre 18 meses e 3 anos, a criança deve aprender o nome das partes do seu corpo. Dos 3 aos 5 anos, os pais devem conversar com os filhos sobre as partes privadas do corpo (aquelas cobertas pela roupa de banho) e também como dizer não . É importante falar sobre a diferença entre “o bom toque e o mal toque”. Após os 5 anos, a criança deve ser orientada sobre sua segurança pessoal e alertada sobre as principais situações de risco. E, depois dos oito, os pais devem começar a discussão sobre conceitos e regras de conduta sexual aceitas pela família e fatos básicos da reprodução humana.
Nas delegacias policiais são comuns registros de meninas, que ainda brincam com bonecas, violentadas pelos próprios pais que abusam, durante anos, das próprias filhas, aproveitando da inocência e do medo delas. O abuso sexual é um ato progressivo, um misto de carinho e afagos com ameaças - não conte nada à mamãe, você é a filha de que mais gosto, esse é um segredo nosso, se falar para sua mãe vou te bater ou te matar, vou abandonar a casa e todos vão passar fome. Por isso, muitos só são descobertos quando engravidam a própria filha. Geralmente são as mães das crianças que fazem a primeira denúncia ao Conselho Tutelar, que encaminha a menor para o Ministério Público que solicita a abertura de inquérito policial. Se condenado, o agressor pode pegar uma pena de 6 a 10 anos de reclusão. Abusar sexualmente dos próprios filhos não é crime apenas das camadas sociais mais pobres, a diferença é que os casos de abusos envolvendo famílias mais abastadas não chegam a virar “caso de polícia”, já que estas pessoas temem ter sua posição social abalada e por isso resolvem o problema dentro da própria casa. Por isso mesmo, não existe uma estatística de quantos menores são violentados mensalmente, mas são muitos.
Combater o abuso sexual é dever da sociedade. Portanto, devemos nos informar sobre a sua freqüência, assim como ensinar às crianças a lidarem com o seu próprio corpo e se o abuso sexual ocorrer, aconselhar aos pais a acreditarem no que seus filhos lhes dizem, por mais absurdo que possa parecer. A auto-estima preservada e confiança nos pais podem impedir a maioria das situações de abuso sexual.
Fontes: Dr. Lauro Monteiro - www.observatoriodainfancia.com.br
www.aap.org/family/csabuse.htm
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