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Brincar é preciso! Respeitem nossos direitos

O direito de brincar não é só para quem tem condições de comprar brinquedos. É paraIlustração: Bruno Barata quem quer brincar e descobre a alegria da brincadeira numa conversa com amigos ou numa caixa de papelão, que, do nada, vira um carrinho de brinquedo.
O importante é que a gente mantenha dentro de si a chama da infância que o mundo tenta apagar, tornando-se cada vez mais breve, e menos feliz. Essa infância está sendo roubada de nossas crianças, que ao invés de brincarem, acabam jogadas prematuramente no duro trabalho doméstico ou na agricultura, ou em muitas outras atividades que incluem os perigosos sinais de trânsitos onde vendem balas e fazem malabarismos. Apesar de aceito pela sociedade como solução para a falta de escolas e para impedir o jovem de se tornar marginal, o trabalho traz conseqüências nocivas ao desenvolvimento físico e psicológico da criança.
Sabe-se que, do ponto de vista do empregado, o trabalho assalariado infanto-juvenil apresenta algumas vantagens em relação ao executado pelos adultos. As crianças podem ser mais facilmente adequadas às funções disponíveis e podem ser mais facilmente dispensadas. É um trabalho muito valorizado, sendo consideravelmente mais baixo o salário pago a crianças e adolescentes. Esse fato explica , em parte, o aumento do número de crianças assalariadas, ao mesmo tempo que também cresce o desemprego entre os trabalhadores adultos. Existe ainda um aspecto cultural relacionado ao trabalho infantil na agricultura, é a aceitação entre a população rural de que o trabalho deve fazer parte do processo de formação dos jovens. As condições do trabalho infantil na agricultura são muito duras, com ferramentas cortantes, exposição a produtos tóxicos, carregamento de fardos pesados, jornadas de trabalho que impossibilitam a freqüência à escola e o direito à infância e às brincadeiras. Dona Francisca, trabalhadora rural na infância, conta que com 6 ou 7 anos ajudava a mãe nos afazeres domésticos, no cuidado com os irmãos e brincava com uma boneca de milho, feita com espiga com seus longos cabelos dourados. Tinha também uma casinha no tronco de uma árvore caída. Sem saber, em sua inocência, Dona FranciscaIlustração: Bruno Barata
defendia seu espaço como criança, o seu direito de brincar.
Mas será que as 500 mil crianças trabalhadoras domésticas do Brasil estão conseguindo defender esse espaço?
Elas representam um terço do trabalho infantil em lares da América do Sul e, o que é mais espantoso, a maioria delas trabalha para famílias de classe média baixa e sofre ameaças e violência psicológica. É um triste panorama. Em 1989,havia 7. 316. 636 crianças trabalhando em diversos setores de economia. Um número que não pára de crescer!
E o que está sendo feito para mudar isso?!
O Brasil até que está adiantado em relação aos outros países, tendo uma legislação proibitiva ao trabalho infantil e de proteção ao direito da criança e do adolescente. Mas não é só trabalho que rouba a infância das crianças. Mesmo as não tão humildes, têm a possibilidade de crescer de forma feliz e harmoniosa ameaçada. Os adultos exigem um comportamento de “homenzinhos” e “mulhereszinhas”. Grandes responsabilidades, muitos compromissos com cursinhos, aulas disso e daquilo e a escolaridade precoce,que queima etapas. É cruel. Não se obedece ao ritmo da criança, que tem que superar seus limites para ser aceita pela sociedade e pela família.Ilustração: Bruno Barata
É o trabalho precoce, a escolarização precoce, sem falar nos limites que a violência urbana, que nos faz reféns, impõe à criança. Contra tudo isso, temos instrumentos, como os Conselhos de direitos da Criança e do Adolescente e os Conselhos Tutelares, temos programas sociais para as crianças, que se propõem a resgatar a infância quase perdida. Temos a possibilidade do enriquecimento da vida interior da criança como salvação. E a vida interior da criança é centrada no seu brincar.
É brincando que ela expressa sentimentos e emoções, experimenta suas habilidades, manifesta suas potencialidades, amadurece de dentro para fora, liberta-se.

POR:
JÉSSICA LISLA, HANNA GOMES, ISMÁRIA PAIVA_ 6.A SÉRIE

ORIENTADORA:
PROF.A ANGELA VALLEJOS.