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COMPROMISSO
Infância
pede respeito em dezembro de 2001 foi realizado o II Congresso
Mundial Contra a Exploração Sexual Comercial
de Crianças em Yokohama, no Japão. Leia a seguir
trechos da carta escrita por crianças e jovens de várias
partes do mundo para todos os adultos.
Nós, os
jovens sugerimos o seguinte caminho:
Reconhecemos que é de suma importância que as
vozes e a presença do protagonismo juvenil sejam incluídas
em todos os níveis de desenvolvimento e implementação
de programas.
Achamos que aumentar a vigilância é fundamental
para despertar a atenção do público.
A sociedade precisa se sensibilizar para o problema e para
as maneiras de enfrentá-lo. Isso poderia ser feito
mais efetivamente por meio da mídia, tendo em vista
que esse é o caminho mais eficaz e apropriado para
disseminar idéias para o mundo.
Precisamos reconhecer que garotos também são
sexualmente explorados, objeto de tráfico e sujeitos
à violência, em particular ao estupro. Atenção
especial precisa ser dada às crianças identificadas
como transexuais. Elas são igualmente afetadas por
essas questões e os países precisam admitir
isso e tomar as precauções necessárias.
Recomendamos que um dia internacional seja dedicado à
luta contra a Exploração Sexual. Esse dia celebraria
os sobreviventes e reconheceria aqueles que ainda são
vítimas desse problema. Isso seria usado para aumentar
o alerta de maneira unificada, onde todas as ações
seriam desenvolvidas simultaneamente e os resultados surgiriam
como uma onda e as vozes ecoariam tão alto que o mundo
todo escutaria a nossa mensagem pelo fim da Exploração
Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes.
Para prevenir, as crianças deveriam ter aulas sobre
o assunto. Solicitamos uma educação acessível
e adequada para as crianças, abordando a exploração
sexual. Isso deveria ser feito de maneira criativa e amistosa.
Precisamos de sérios compromissos financeiros de organizações
doadoras e de entidades governamentais.
A coisa mais importante, depois que uma criança inocente
é molestada sexualmente, é o processo de cura
que ela necessita para poder ter um papel produtivo na sociedade.
A criança deve estar plenamente informada e ser sempre
consultada sobre qualquer decisão ou processo que a
afete. Esse processo pode ser implementado em uma casa de
segurança ou abrigo. Pensamos que uma casa- abrigo
também deve conter as condições necessárias
para o processo de cura, como educação, assistência
psicossocial, além de suporte médico e legal,
para as crianças e adolescentes explorados sexualmente.
Esses serviços devem ser implementados de maneira criativa,
compreensiva e consultiva.
Sugerimos que um “disque-denúncia” seja
criado para as pessoas que queiram conversar, denunciar, fazer
reportagens e obter informações. Alertamos que
o número seja o mesmo em todos os países, para
que as crianças objeto de tráfico saibam a quem
recorrer.
A tendência de concentrar a discussão e pesquisa
sobre a Exploração Sexual de Crianças
e Adolescentes naqueles sexualmente explorados é visível.
Eles precisam de atenção, mas é importante
que a demanda específica também seja enfocada.
Pesquisas futuras sobre o assunto devem clarificar a motivação
e o histórico do criminoso, o que vai ajudar na prevenção
à exploração sexual e no tratamento do
explorador.
Nós encorajamos a estreita cooperação
entre todos os atores que lutam contra a Exploração
Sexual. Governos, organizações governamentais,
não-governamentais e outras instituições
devem trabalhar em conjunto e com a juventude para combater
a exploração sexual de maneira mais efetiva.
Somente com a união de todos é que poderemos
acabar de uma vez por todas com o problema.
Nós exigimos que o tráfico de crianças
e adolescentes dentro dos países e nas fronteiras seja
seriamente atacado. Há uma necessidade muito forte
de harmonia de legislação e cooperação
entre os agentes de aplicação da lei, nacional
e internacionalmente.
A corrupção não é apenas uma barreira
na luta mas um agente agravante do problema. Os agentes da
corrupção fazem parte da rede de exploradores.
Rogamos por enérgicas ações para eliminar
a corrupção, de modo que ela não atrapalhe
nossa luta.
Nós requeremos que iniciativas legais e acordos multilaterais
apropriados sejam implementados de modo a impedir que sites
na Internet que promovem a pornografia infantil sejam publicados,
que os criminosos sejam responsabilizados e que os provedores
de serviços de Internet desempenhem um papel de destaque
neste processo.
Solicitamos dos legisladores que as punições
para os agentes da Exploração Sexual sejam revistas
e se tornem mais rigorosas.
Exigimos a descriminalização da juventude sexualmente
explorada. Não são as vítimas que devem
ser criminalizadas, mas os exploradores - especialmente quando
as vítimas têm menos de 18 anos.
Esperamos que a participação da juventude neste
congresso não seja apenas para fins decorativos. Precisamos
que os pontos abordados sejam levados tão a sério
quanto qualquer outro tema aqui discutido. Agradecemos ao
Congresso por ter estado atento às vozes da juventude,
ao mesmo tempo que sublinhamos que sem a participação
da juventude não há como seguir adiante.
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