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Ilustração: Gabriel Loke

Uma das paixões do Secretário Municipal das Culturas do Rio de Janeiro são as crianças e a cidade do Rio. Arquiteto, casado, 44 anos, Ricardo Macieira tem dois filhos, uma menina de 10 anos e um menino de 14 anos. Em oito anos de RIOARTE, antes de integrar a equipe do Prefeito César Maia, o secretário executou inúmeros projetos de artes e educação destinados especialmente ao público jovem. Dentre eles, o de criação da Coordenadoria de Teatro Infanto-Juvenil, o da Coordenadoria de Teatro de Rua e Circos e o das lonas culturais, premiado pela Comunidade Européia e Mercocidades. Sob a coordenação do jornal Fala Criança, os estudantes Luciana dos Santos e Flávio Rocha, de 12 anos, entrevistaram Ricardo Macieira que, a seguir, conta sobre seus ideais e planos para incrementar a cultura na cidade.

O Senhor diz que quando criança um de seus passatempos preferidos era ler revistas infantis. A criação de um museu de história em quadrinhos poderia ajudar no desenvolvimento social das crianças?

Macieira – Não tenho dúvidas de que através
dos quadrinhos a gente pode acessar às crianças de uma forma muito mais fácil. Meu sonho é criar um museu da criança para expor a memória de trabalhos feitos especialmente para elas. Pensando nisso, estou criando o centro de referência da cultura infantil, que contará com profissionais que há muito tempo executam trabalhos com jovens nas áreas de artes plásticas, dança, música e cinema. A partir daí, vamos elaborar projetos cujo foco, independentemente da forma de expressão artística, será a criança. Atualmente, temos em andamento o Projeto Garatuja, que desenvolve livros feitos artesanalmente por crianças e são distribuídos na rede municipal de ensino. Nosso objetivo e desejo enorme é disponibilizarmos cada vez mais tudo que estamos fazendo em termos de cultura para esse público.

Por que as escolas não possuem computadores para pesquisas?

Macieira – A prefeitura já começou a colocar computadores nas escolas, porém, é necessário que a instalação seja acelerada. Considero extremamente importante o uso de computadores e internet no ensino público tanto para que os jovens tenham acesso à informação e ao produto cultural, quanto para professores, a fim de que possam se atualizar profissionalmente e aprofundar seus conhecimentos. Numa rede internacional de cultura cada vez mais globalizada o computador se tornou uma ferramenta indispensável à formação de jovens e profissionais.

O que o senhor acha da idéia de lançar um jornal produzido por crianças?

Macieira – Acho fantástico. Estou impressionado com a qualidade do trabalho de vocês. Iniciativas como essas me sensibilizam muito; fico muito feliz por isso. Sou um secretário totalmente voltado para a questão da criança. Cultura garante qualidade de vida. Temos que investir nos jovens, porque assim estamos formando cidadãos melhores, relacionados ao que acontece no mundo. Então, quando vocês vêm a mim trazer um projeto com essa importância podem ter certeza de que o secretário é parceiro. Vamos desenvolver esse trabalho conjuntamente, distribuindo o Fala Criança! nas escolas da rede municipal de ensino.

Quais são os planos da secretaria para 2002?

Macieira – O compromisso desse governo é, sobretudo, com a cultura. Portanto, este ano inauguraremos mais quatro lonas culturais, além das seis que possuímos, que são a do Complexo da Maré, a de Santa Cruz, Jacarepaguá e a da Ilha do Governador. Estamos criando também o Centro Coreográfico de Dança, já que a cidade se destaca na área de dança contemporânea internacional. Nossa expectativa é de que até o final de julho o novo espaço já esteja funcionando.

Muito tem se falado que a Prefeitura trará o Guggenheim para a cidade do Rio de Janeiro. Você poderia contar detalhadamente para os leitores do Fala Criança! o que é esse museu?

Macieira – O Guggenheim é uma fundação museulógica que pertencia a um grande empresário da mineração americana, com muita sensibilidade para artes plásticas. A partir disso, ele começou a comprar diversos quadros e esculturas, porém, a quantidade de peças era tão numerosa que um dia resolveu permitir que esse prazer pessoal fosse desfrutado por outras pessoas. Nos anos 40, então, fundou o primeiro museu em Nova York, que posteriormente passou a existir em lugares como, Veneza, Berlim, Bilbao, na Espanha, e Las Vegas. E agora, parte desse acervo internacional poderá constituir do museu no Rio de Janeiro. O Guggenheim passará a representar no Brasil um emblema para questão das artes plásticas, revitalizando o mercado, democratizando as artes e, principalmente, colocando também o país no circuito das grandes exposições do mundo.

Que benefícios o Guggenheim vai trazer pra gente no dia-a-dia?

Macieira – A construção do museu nos trará várias vantagens. Vamos promover cursos na área de arte e educação. Um dado muito novo que temos discutido com os técnicos do museu é a idéia de unirmos a arte à questão educacional. Queremos que as crianças da nossa rede municipal de ensino visitem essa exposição a custo zero. As atividades e serviços programados irão revitalizar a zona portuária, que, no período da colonização, foi a porta de entrada da civilização e do desenvolvimento urbano do Rio. Com isso, esperamos que a área ganhe vida e no futuro as pessoas venham morar no local.

Como uma das principais propostas do calendário de atividades da sua gestão, quais foram os resultados obtidos em 2001 com o projeto que incentiva a ida de jovens de escolas municipais aos teatros?

Macieira – No ano passado, com o programa educacional Teatro nas Escolas, conseguimos, por exemplo, levar 37 mil crianças da rede municipal ao Teatro Carlos Gomes. Embora represente 5% do total de 700 mil crianças matriculadas, esse percentual ainda é muito pequeno. Por mais que a gente invista em cultura todo esforço nunca é o suficiente. Entretanto, pretendemos atingir um número maior de jovens. Hoje temos subvencionados 11 teatros da rede municipal. Pra este ano, já está programado um projeto que se chama cultura itinerante, que proporcionará cada vez mais atividades culturais gratuitas a vocês.

Qual a sua visão sobre o Rio como um local para se investir em artes e cultura?

Macieira – O Rio apresenta uma diversidade e riqueza cultural muito grande e, ao mesmo tempo, tem um espírito feminino na sua conformação, que é um aspecto bastante interessante. A cidade é muito materna porque acolhe artistas de todos os lugares do Brasil e do mundo, e estimula a criatividade. Precisamos nos preocupar em fazer com que as coisas realmente aconteçam. Costumo dizer aos meus filhos que devemos deixar uma cidade e um país melhor. E uma cidade melhor é o lugar onde a gente faça uma cultura pra todo mundo, uma cultura cidadã, que vá da zona sul à zona oeste, com equipamentos de cultura democratizados, acessados por todos, visando sempre às futuras gerações.