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Todas
as crianças crescem.
Mauricio de Sousa, não. O desenhista, escritor, editor
Mauricio nasceu em São Paulo, na cidade de Santa Isabel,
há 67 anos. Mas é junto com a sua turma Mônica,
Cebolinha, Cascão, Magali e muitos, muitos outros,
que o menino Mauricio conta histórias e brinca de fazer
rir milhares de crianças
em todo mundo.Desde pequeno, ele é apaixonado por gibis.
Com a sua mesadinha ia na banca e comprava todos os que podia.
Conta que uma vez inventou uma contribuição
para a Sopa Escolar só para conseguir o dinheiro para
comprar mais gibis. A vó Dita brigou muito, mas Mauricio,
embora envergonhado, lembra da alegria de ler novos gibis.Tanto
leu, que um dia começou a criar seus próprios
personagens. Em 1959 (quando estava com 24 anos) publicou
a sua primeira história em quadrinhos no jornal: as
aventuras de um cãozinho chamado Bidu e seu dono, Franjinha.
Em 10 anos, Maurício invadiu mais de 200 jornais em
todo o Brasil e nunca mais parou. Foi pra TV, inventou filmes,
virou marca de produtos infantis, botou na banca um monte
de gente legal: Chico Bento, Penadinho, Pelezinho, Horácio,
Anjinho ... Criou o Parque da Mônica no Rio e em São
Paulo e como todo menino ainda tem muitos planos e projetos
para realizar. Vai transformar a Turma da Mônica e o
Horácio em astros do cinema e da televisão,
e pretende fazer com que
10 milhões de crianças aprendam a ler e escrever
muitas, muitas histórias...
Quando
começou seu interesse pelos QUADRINHO?
Mauricio
-
Desde que aprendi a ler neles, antes mesmo de ir à
escola.
Fale
um pouco de sua carreira , foi difícil no começo?
Mauricio
-
Toda carreira
dá um trabalho maior no início. E no meu caso,
por força da natureza do meu trabalho, tive que lutar
contra a descrença de editores e donos de jornal que
não acreditavam no sucesso de historietas brasileiras.
O
projeto com a marca CICA foi fundamental para se tornar conhecido?
Mauricio
-
Foi um momento
importante. Mas quando saíram os primeiros desenhos
na televisão, tínhamos mais de duzentos jornais
publicando nosso material. A turma já era bem conhecida.
Faltava a televisão. Daí eu ter aceitado o contrato.
Era a maneira de estarmos na TV antes de termos os desenhos
animados tradicionais. E foi ótimo. Se não foi
fundamental, foi um dos projetos adequados para nosso crescimento.
Qual
é o segredo da sua criatividade? O que inspirou você
a criar a turma da Mônica?
Mauricio
-Não
há segredo na criatividade. Simplesmente há
criatividade. Que talvez se explique num processo de idéia/realização
sem peias, sem medo, ousado. Quanto à criação
dos personagens, eu tinha que buscar agentes para expor minhas
idéias, minhas histórias. Fui buscar inspiração
nos meus filhos, conhecidos, parentes, crianças que
conheci... e assim nasceu a nossa grande turma.
O
que você acha da idéia de criar um museu das
historia em quadrinhos no Rio de Janeiro?
Mauricio
-
Linda idéia.
Espero que haja um cantinho para expormos o que fazemos na
área.
Fale um pouco do Mauricio criança, você fazia
muita bagunça?
Mauricio
-
Fui uma criança
normal. Conseqüentemente, fazia alguma bagunça,
sim. Mas com pais e avós sensíveis e condescendentes,
as bagunças não eram tratadas como tal. Eram
observadas e serviam para um ou outro papo sobre a necessidade
de ordem, de cuidados. Brinquei bastante em ruas de terra,
no interior, nadei em rios de águas limpas (no Tietê,
imagine!), cacei rãs à noitinha, nas várzeas
do rio, com lanterna de carbureto, empinei pipas que eu mesmo
construía, desenhava sempre, e lia gibis desde os 5,
6 anos.
Seu
trabalho teve alguma influencia do desenho japonês,
muitos consideram
a turma da Mônica como o 1º Mangá brasileiro?
Mauricio
-
H á
alguma semelhança devido ao grafismo, traços
simplificados e olhos grandes. Mas é pura coincidência.
Quais são seus projetos para o futuro? Alguma novidade?
Mauricio
-
Milhões
de projetos e algumas novidades. Nos quadrinhos, quero passar
a editar alguns álbuns com temas específicos,
mas usando histórias já publicadas. Na animação,
estamos desenvolvendo desenhos em flash, já no nosso
site (monica.com.br), desenhos em computação
gráfica (Horácio, já em pequenos filmes
de um minuto nos cinemas) e longas metragens. Já em
produção. Um da turma e outro do Horácio.
Você desenvolve algum projeto social?
Mauricio
-
Temos participado
de diversas campanhas, movimentos, projetos e programas ligados
à saúde pública, à defesa do meio
ambiente e à educação. Um Instituto Cultural
(tipo Fundação) cuida dessas atividades - Instituto
Cultural Mauricio de Sousa.
Como
você vê a utilização de oficinas
de histórias quadrinhos para crianças em comunidades
pobres do Rio de Janeiro?
Mauricio
-
Criança
adora desenhar, pintar, exercitar alguma atividade criativa,
artística. Se você der pincel, tinta, lápis,
um instrumento musical, uma bola, orientação
carinhosa e profissional, terá meio caminho andado
para afastar crianças de algum
tipo de mau hábito.
Como você vê infância no Brasil com tanta
desigualdade social?
Mauricio
-
Temos um
imenso caminho a trilhar para desbastar essas arestas de desigualdade.
Todos deveríamos estar irmanados nessa missão.
Uma recente pesquisa traz um dado alarmante, a expectativa
de vida das crianças pobres que vivem nas periferias
não passa dos 20 anos. Com você vê essa
triste realidade?
Mauricio
-
Não
creio nesse número. Está exagerado. Mas o problema
existe. E dependendo de vontade política de governos,
da cidadania exercida pela população, podemos
diminuir números ainda gritantes desse massacre.
O que acha da idéia de um jornal produzido e ilustrado
por crianças e adolescentes?
Mauricio
-
O
escritor e o desenhista passam a se considerar como tal e
acreditar em seu futuro a partir de sua primeira publicação.
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