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Ela
gosta de futebol. Entende as regras e quando o assunto é
Educação, entra na área para marcar um
golaço. A nossa entrevistada desta edição
é a Secretária Municipal de Educação,
Sonia Maria Corrêa Mograbi. São 20 anos de Magistério
que começou na sala de aula como professora de História,
passando a diretora de escola, administradora de um Distrito
de Educação e Cultura (DECs) até chegar
a 3ª Coordenadoria Regional de Educação
no grande Méier. Desde a posse do Prefeito César
Maia, Sonia responde pela Educação na cidade
do Rio de Janeiro. Em números isso representa: 1035
escolas, 40 mil professores e 706 mil alunos. Mas a Secretária
ainda não está satisfeita, depois de inaugurar
mais seis escolas, ela pretende quadruplicar o número
de laboratórios de informática, colocar mais
alunos no ensino básico e melhorar o atendimento nas
creches. Durante o bate papo com os nossos repórteres
Luciana e Gilson, de 11 anos, ela convidou o Fala Criança
para unir forças com toda a comunidade escolar para
a conquista de uma Escola de Paz e Solidariedade no Rio de
Janeiro.
Como a senhora vê a educação
hoje nas escolas municipais?
Sônia
Mograbi - Eu vejo como uma atividade
muito importante para a inclusão social. Nós
sabemos que este equipamento escola que hoje está espalhado
por toda a cidade do Rio de Janeiro é dos mais importantes
para a nossa sociedade. Nós temos professores concursados,
os melhores da cidade. E temos obrigação de
cada vez mais tornar essa escola prazerosa. Uma escola que
ensine, que eduque, mas uma escola que o aluno sinta prazer
de estar nela. Porque o mais importante, além de garantir
a presença do aluno na escola, é que ele permaneça
nela e que tenha êxito escolar.
A
senhora acha que a escola pública tem um bom ensino?
Sônia
Mograbi - Eu acho que a escola pública
tem um bom ensino porque tem os melhores professores da cidade.
Às vezes as pessoas questionam esta escola pública,
mas não sabe que ela trabalha com a diversidade, ou
seja, nós recebemos alunos de todas as partes do Brasil,
de todas as condições sociais, diferente, às
vezes, de uma escola que seleciona alunos por sua renda, por
sua idade. Então o grande desafio da escola pública
do município do Rio de Janeiro é conseguir o
sucesso escolar trabalhando a diversidade.
Por
que as crianças em situação de rua não
estão na escola?
Sônia
Mograbi - Nós conseguimos universalizar
a educação fundamental no Rio de Janeiro. Nós
nos deparamos, às vezes, com algumas situações
como esta que vocês nos colocam, daí a importância
que se trabalhe também com a família destas
crianças, mostrando a importância de se estar
na escola. Muitas vezes, algumas das crianças que estão
na rua também freqüentam a escola e são
obrigadas a complementar a renda familiar. É isso que
nós não queremos, por isso que estamos desenvolvendo
o PETI, o Programa de Erradicação do Trabalho
Infantil. No sentido de que a criança tenha a possibilidade
de apenas estudar, estamos desenvolvendo o Programa Bolsa
Escola, para que as famílias recebam uma complementação
de renda e não tenham que fazer seus filhos trabalharem.
Por isso temos que oferecer múltiplas atividades aos
alunos. Daí a importância das unidades de extensão,
dos clubes escolares, dos núcleos de arte, das escolas
de educação para o trabalho, para cada vez mais
ocupar crianças e adolescentes com atividades importantes,
que os afastem de outros caminhos que não são
os melhores para elas.
A
violência nas escolas não estaria relacionada
com a miséria que a população está
vivendo?
Sônia
Mograbi - Nós fizemos uma pesquisa
nas 1029 escolas municipais – hoje, já são
1035, inauguramos mais seis – em que o diretor de cada
escola deu uma nota de um a dez. Foi analisada a violência
interna e externa, as condições do em torno
da escola, a iluminação, coleta de lixo, a permanência
do aluno, se havia evasão alta ou não, e o desempenho
escolar. Nós verificamos que a violência externa
é muito maior que a violência interna. Então
esta violência externa afeta a escola porque se nós
temos em torno um ambiente de violência, de tiroteios
e todas estas situações que a cidade vive, então
a criança não chega na escola, o pai não
manda ou as aulas são interrompidas. É importante
cada escola trabalhar direitos e deveres. Eu acho que apesar
de toda a violência externa, a escola tem conseguido
desenvolver um ambiente de solidariedade. Eu acho importante
que vocês que são repórteres mirins e
fazem parte do corpo de uma escola estarem juntos com os colegas
procurando ser mediadores, porque nos queremos um clima de
paz. Houve um tempo que nós tínhamos uma turma
chamada turma do deixa disso. Quando tinha qualquer conflito,
chegava sempre a turma do deixa disso e dizia: _ Pra que isso?
Pra que resolver desta forma!. Nós queremos e inclusive
é um projeto da Segurança Participativa da professora
Alba Zaluar e da professora Gilda, que estão trabalhando
já em algumas escolas os Mediadores da Paz.
Nós
achamos um absurdo vê as nossas escolas fechadas por
causa do tráfico, o que a senhora acha disso?
Sônia
Mograbi - Eu também acho um
absurdo, concordo inteiramente com vocês. Esta situação
de violência tem atingido não só escolas,
mas unidades de saúde e todos nós. Eu acho que
nós temos um papel na educação que é
o de educar, criar um ambiente positivo dentro das nossas
escolas, mas o que nós queremos é que aqueles
que tem a atividade da segurança nos forneçam
condições de paz para que possamos trabalhar,
que eles também cumpram o papel deles.
Como
poderíamos ajudar para acabar com a violência
nas escolas?
Sônia
Mograbi - Acho que todos nós
temos que estar muito unidos, o aluno, o professor, a merendeira,
o funcionário em geral, os pais. Nós temos que
fazer um trabalho para tornar aquele ambiente em que nós
passamos uma grande parte da nossa existência, que é
a escola, e vocês estão lá todos os dias,
em um ambiente de crescimento pessoal; Um ambiente em que
os alunos aprendam, os professores desenvolvam bem as suas
tarefas e haja uma união de todos no sentido de criar
esta situação de boa convivência, de paz
e de solidariedade. Então, eu acho que este é
um grande desafio e vocês todos estão convidados
junto com os professores e demais membros da comunidade escolar
a atingir esta grande meta que é uma escola de paz.
O
que a Prefeitura está fazendo para conter o avanço
das drogas nas escolas?
Sônia
Mograbi - Nós temos uma parceria
com a Secretária de Dependência Química
e estamos permanentemente qualificando os professores a trabalharem
com este grande problema. Temos os nossos núcleos de
adolescentes já formados em diversas escolas, onde
eles trabalham, não só a questão das
drogas, mas das doenças sexualmente transmissíveis
e a sexualidade em geral. Este é um assunto que sempre
está aberto a discussão nas escolas e nós
temos feito seminários e capacitados nossos profissionais
para tratar esta questão.
Por
que o município não pode mais reprovar os alunos?
Sônia
Mograbi - Não existe isso, esta
é uma informação que não é
correta. O que nós temos, que foi implantado na gestão
passada, é o sistema de ciclos que também é
uma forma de organização escolar e está
acontecendo em diversos municípios e capitais brasileiras.
O ciclo, que as pessoas pensam que é uma aprovação
automática, não é isso. Na verdade, o
aluno tem, o que seria o C.A, primeira e segunda série,
o primeiro ciclo de formação. Ele dá
a oportunidade do aluno adquirir esta competência da
leitura e da escrita em um espaço maior, ou seja, cada
aluno tem um ritmo, o que nós queremos é que
este aluno tenha um tempo que ele não seja penalizado
com a reprovação no primeiro ano, fazendo um
corte.
O
que a senhora acha dos esportes nas escolas?
Sônia
Mograbi - Eu sou fã do esporte
e acho que ele é muito importante. Por isso nós
estamos chamando todos os aprovados no concurso de banco de
educação física. Não só
para ter educação física de 5ª a
8ª série mas também para o primeiro segmento,
incluindo os de educação infantil. O esporte
tem regras, você sabe muito bem que se botar à
mão na bola na área é pênalti.
Então nós temos que obedecer as regras. E eu
acho que o esporte é um bom formador do caráter
das pessoas porque tem regras que tem que ser obedecidas.
O juiz apita é falta, não pode dar carrinho,
não ter determinado tipo de atitude. Então o
esporte e suas regras são importantíssimos na
formação dos indivíduos.
A
senhora acha bom ter informática nas escolas?
Sônia
Mograbi - Importantíssimo. Nós
estamos quadruplicando os laboratórios de informática.
Eram 50 e já estão em andamento as obras para
200 laboratórios. No mundo de hoje, a informática
é fundamental, então nós queremos que
nossos alunos tenham acesso à informática e
temos até uma meta ousada que é ter o computador
dentro da sala de aula.
A
senhora acha que o judô e a capoeira nas escolas causa
mais violência?
Sônia
Mograbi - Acho que não, se for
bem dado não. É preciso que seja dado por pessoas
que vejam aquilo como defesa pessoal e trabalho de corpo.
Se for dado com a filosofia que realmente preside dentro do
esporte, ele pode ser até um elemento para domar o
indivíduo para a turma do deixa disso.
O
que a senhora acha? Poderia ter natação, dança...
na escola pública?
Sônia
Mograbi - Já existe. Você
pode não ter estas atividades dentro dos murros da
escola, mas existem os clubes escolares e os núcleos
de arte. O aluno que estuda no horário parcial, pode
complementar suas atividades participando destes centros,
além das vilas olímpicas que também são
dirigidas pela Secretária de Esporte e Lazer.
Por
que nas escolas não têm aula de História
da Arte?
Sônia
Mograbi - A escola tem um conjunto
de disciplinas que se chama Educação Artística,
aí você tem artes cênicas, artes plásticas
e educação musical. Essa é uma área
que nós fizemos concurso recentemente e não
conseguimos a aprovação de todos os candidatos.
Nós queríamos trabalhar muito com a Arte, não
necessariamente História da Arte, mas possibilitar
ao aluno atividades artísticas. Vamos fazer um outro
concurso também na área de Educação
Artística para ter mais professores nesta área,
que nós consideramos fundamental.
Por
que nas escolas só pode ter aula de uma língua
estrangeira?
Sônia
Mograbi - Nós temos três
idiomas na rede: o inglês, o francês e o espanhol.
Neste momento cada escola faz a opção por uma
determinada língua, porque nos temos uma rede muito
grande, de 1035 escolas, 706 mil alunos, 40 mil professores.
Nós fizemos em 2001 um grande concurso e já
chamamos mais de 5 mil professores. Temos que atingir uma
meta importantíssima colocada pelo prefeito César
Maia que é a ampliação da educação
infantil. Vocês sabem que na educação
fundamental até a 8ª série, nós
já conseguimos universalizar, todos podem estar na
escola. Mas temos apenas 83 mil alunos de educação
infantil. Temos que ampliar esta rede. Então são
muitos profissionais e temos que fazer uma distribuição
destes recursos para atender a todos e nem sempre podemos
contemplar todas as línguas dentro da escola.
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