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Ilustração: Gabriel LokeEla gosta de futebol. Entende as regras e quando o assunto é Educação, entra na área para marcar um golaço. A nossa entrevistada desta edição é a Secretária Municipal de Educação, Sonia Maria Corrêa Mograbi. São 20 anos de Magistério que começou na sala de aula como professora de História, passando a diretora de escola, administradora de um Distrito de Educação e Cultura (DECs) até chegar a 3ª Coordenadoria Regional de Educação no grande Méier. Desde a posse do Prefeito César Maia, Sonia responde pela Educação na cidade do Rio de Janeiro. Em números isso representa: 1035 escolas, 40 mil professores e 706 mil alunos. Mas a Secretária ainda não está satisfeita, depois de inaugurar mais seis escolas, ela pretende quadruplicar o número de laboratórios de informática, colocar mais alunos no ensino básico e melhorar o atendimento nas creches. Durante o bate papo com os nossos repórteres Luciana e Gilson, de 11 anos, ela convidou o Fala Criança para unir forças com toda a comunidade escolar para a conquista de uma Escola de Paz e Solidariedade no Rio de Janeiro.


Como a senhora vê a educação hoje nas escolas municipais?

Sônia Mograbi - Eu vejo como uma atividade muito importante para a inclusão social. Nós sabemos que este equipamento escola que hoje está espalhado por toda a cidade do Rio de Janeiro é dos mais importantes para a nossa sociedade. Nós temos professores concursados, os melhores da cidade. E temos obrigação de cada vez mais tornar essa escola prazerosa. Uma escola que ensine, que eduque, mas uma escola que o aluno sinta prazer de estar nela. Porque o mais importante, além de garantir a presença do aluno na escola, é que ele permaneça nela e que tenha êxito escolar.

A senhora acha que a escola pública tem um bom ensino?

Sônia Mograbi - Eu acho que a escola pública tem um bom ensino porque tem os melhores professores da cidade. Às vezes as pessoas questionam esta escola pública, mas não sabe que ela trabalha com a diversidade, ou seja, nós recebemos alunos de todas as partes do Brasil, de todas as condições sociais, diferente, às vezes, de uma escola que seleciona alunos por sua renda, por sua idade. Então o grande desafio da escola pública do município do Rio de Janeiro é conseguir o sucesso escolar trabalhando a diversidade.

Por que as crianças em situação de rua não estão na escola?

Sônia Mograbi - Nós conseguimos universalizar a educação fundamental no Rio de Janeiro. Nós nos deparamos, às vezes, com algumas situações como esta que vocês nos colocam, daí a importância que se trabalhe também com a família destas crianças, mostrando a importância de se estar na escola. Muitas vezes, algumas das crianças que estão na rua também freqüentam a escola e são obrigadas a complementar a renda familiar. É isso que nós não queremos, por isso que estamos desenvolvendo o PETI, o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil. No sentido de que a criança tenha a possibilidade de apenas estudar, estamos desenvolvendo o Programa Bolsa Escola, para que as famílias recebam uma complementação de renda e não tenham que fazer seus filhos trabalharem. Por isso temos que oferecer múltiplas atividades aos alunos. Daí a importância das unidades de extensão, dos clubes escolares, dos núcleos de arte, das escolas de educação para o trabalho, para cada vez mais ocupar crianças e adolescentes com atividades importantes, que os afastem de outros caminhos que não são os melhores para elas.

A violência nas escolas não estaria relacionada com a miséria que a população está vivendo?

Sônia Mograbi - Nós fizemos uma pesquisa nas 1029 escolas municipais – hoje, já são 1035, inauguramos mais seis – em que o diretor de cada escola deu uma nota de um a dez. Foi analisada a violência interna e externa, as condições do em torno da escola, a iluminação, coleta de lixo, a permanência do aluno, se havia evasão alta ou não, e o desempenho escolar. Nós verificamos que a violência externa é muito maior que a violência interna. Então esta violência externa afeta a escola porque se nós temos em torno um ambiente de violência, de tiroteios e todas estas situações que a cidade vive, então a criança não chega na escola, o pai não manda ou as aulas são interrompidas. É importante cada escola trabalhar direitos e deveres. Eu acho que apesar de toda a violência externa, a escola tem conseguido desenvolver um ambiente de solidariedade. Eu acho importante que vocês que são repórteres mirins e fazem parte do corpo de uma escola estarem juntos com os colegas procurando ser mediadores, porque nos queremos um clima de paz. Houve um tempo que nós tínhamos uma turma chamada turma do deixa disso. Quando tinha qualquer conflito, chegava sempre a turma do deixa disso e dizia: _ Pra que isso? Pra que resolver desta forma!. Nós queremos e inclusive é um projeto da Segurança Participativa da professora Alba Zaluar e da professora Gilda, que estão trabalhando já em algumas escolas os Mediadores da Paz.

Nós achamos um absurdo vê as nossas escolas fechadas por causa do tráfico, o que a senhora acha disso?

Sônia Mograbi - Eu também acho um absurdo, concordo inteiramente com vocês. Esta situação de violência tem atingido não só escolas, mas unidades de saúde e todos nós. Eu acho que nós temos um papel na educação que é o de educar, criar um ambiente positivo dentro das nossas escolas, mas o que nós queremos é que aqueles que tem a atividade da segurança nos forneçam condições de paz para que possamos trabalhar, que eles também cumpram o papel deles.

Como poderíamos ajudar para acabar com a violência nas escolas?

Sônia Mograbi - Acho que todos nós temos que estar muito unidos, o aluno, o professor, a merendeira, o funcionário em geral, os pais. Nós temos que fazer um trabalho para tornar aquele ambiente em que nós passamos uma grande parte da nossa existência, que é a escola, e vocês estão lá todos os dias, em um ambiente de crescimento pessoal; Um ambiente em que os alunos aprendam, os professores desenvolvam bem as suas tarefas e haja uma união de todos no sentido de criar esta situação de boa convivência, de paz e de solidariedade. Então, eu acho que este é um grande desafio e vocês todos estão convidados junto com os professores e demais membros da comunidade escolar a atingir esta grande meta que é uma escola de paz.

O que a Prefeitura está fazendo para conter o avanço das drogas nas escolas?

Sônia Mograbi - Nós temos uma parceria com a Secretária de Dependência Química e estamos permanentemente qualificando os professores a trabalharem com este grande problema. Temos os nossos núcleos de adolescentes já formados em diversas escolas, onde eles trabalham, não só a questão das drogas, mas das doenças sexualmente transmissíveis e a sexualidade em geral. Este é um assunto que sempre está aberto a discussão nas escolas e nós temos feito seminários e capacitados nossos profissionais para tratar esta questão.

Por que o município não pode mais reprovar os alunos?

Sônia Mograbi - Não existe isso, esta é uma informação que não é correta. O que nós temos, que foi implantado na gestão passada, é o sistema de ciclos que também é uma forma de organização escolar e está acontecendo em diversos municípios e capitais brasileiras. O ciclo, que as pessoas pensam que é uma aprovação automática, não é isso. Na verdade, o aluno tem, o que seria o C.A, primeira e segunda série, o primeiro ciclo de formação. Ele dá a oportunidade do aluno adquirir esta competência da leitura e da escrita em um espaço maior, ou seja, cada aluno tem um ritmo, o que nós queremos é que este aluno tenha um tempo que ele não seja penalizado com a reprovação no primeiro ano, fazendo um corte.

O que a senhora acha dos esportes nas escolas?

Sônia Mograbi - Eu sou fã do esporte e acho que ele é muito importante. Por isso nós estamos chamando todos os aprovados no concurso de banco de educação física. Não só para ter educação física de 5ª a 8ª série mas também para o primeiro segmento, incluindo os de educação infantil. O esporte tem regras, você sabe muito bem que se botar à mão na bola na área é pênalti. Então nós temos que obedecer as regras. E eu acho que o esporte é um bom formador do caráter das pessoas porque tem regras que tem que ser obedecidas. O juiz apita é falta, não pode dar carrinho, não ter determinado tipo de atitude. Então o esporte e suas regras são importantíssimos na formação dos indivíduos.

A senhora acha bom ter informática nas escolas?

Sônia Mograbi - Importantíssimo. Nós estamos quadruplicando os laboratórios de informática. Eram 50 e já estão em andamento as obras para 200 laboratórios. No mundo de hoje, a informática é fundamental, então nós queremos que nossos alunos tenham acesso à informática e temos até uma meta ousada que é ter o computador dentro da sala de aula.

A senhora acha que o judô e a capoeira nas escolas causa mais violência?

Sônia Mograbi - Acho que não, se for bem dado não. É preciso que seja dado por pessoas que vejam aquilo como defesa pessoal e trabalho de corpo. Se for dado com a filosofia que realmente preside dentro do esporte, ele pode ser até um elemento para domar o indivíduo para a turma do deixa disso.

O que a senhora acha? Poderia ter natação, dança... na escola pública?

Sônia Mograbi - Já existe. Você pode não ter estas atividades dentro dos murros da escola, mas existem os clubes escolares e os núcleos de arte. O aluno que estuda no horário parcial, pode complementar suas atividades participando destes centros, além das vilas olímpicas que também são dirigidas pela Secretária de Esporte e Lazer.

Por que nas escolas não têm aula de História da Arte?

Sônia Mograbi - A escola tem um conjunto de disciplinas que se chama Educação Artística, aí você tem artes cênicas, artes plásticas e educação musical. Essa é uma área que nós fizemos concurso recentemente e não conseguimos a aprovação de todos os candidatos. Nós queríamos trabalhar muito com a Arte, não necessariamente História da Arte, mas possibilitar ao aluno atividades artísticas. Vamos fazer um outro concurso também na área de Educação Artística para ter mais professores nesta área, que nós consideramos fundamental.

Por que nas escolas só pode ter aula de uma língua estrangeira?

Sônia Mograbi - Nós temos três idiomas na rede: o inglês, o francês e o espanhol. Neste momento cada escola faz a opção por uma determinada língua, porque nos temos uma rede muito grande, de 1035 escolas, 706 mil alunos, 40 mil professores. Nós fizemos em 2001 um grande concurso e já chamamos mais de 5 mil professores. Temos que atingir uma meta importantíssima colocada pelo prefeito César Maia que é a ampliação da educação infantil. Vocês sabem que na educação fundamental até a 8ª série, nós já conseguimos universalizar, todos podem estar na escola. Mas temos apenas 83 mil alunos de educação infantil. Temos que ampliar esta rede. Então são muitos profissionais e temos que fazer uma distribuição destes recursos para atender a todos e nem sempre podemos contemplar todas as línguas dentro da escola.