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Torben Grael é o nosso "Turbina", um dos principais nomes do iatismo brasileiro, reconhecido internacionalmente. Há 7 anos, este velejador medalhista olímpico e campeão mundial, junto a Lars Grael e Marcelo Ferreira, deram início ao Projeto Grael por acreditarem que a vela garante caminhos de socialização a partir da educação e formação profissional. Em 2000 criaram o Instituto Rumo Náutico, sociedade civil sem fins lucrativos, que oferece capacitação profissional para o mercado náutico, além da promoção da educação ambiental e da prática da cidadania. Eles querem, principalmente, atender jovens dos 14 aos 21 anos, oriundos da rede pública municipal de Educação que, a princípio, não tenham acesso às essas oportunidades.

O fala criança convidou e os Jovens do Instituto Rumo Náutico transformaran -se em "repórteres por um dia" entrevistaram o "lobo do mar".

Fala Criança - De onde surgiu seu interesse pela vela?

Torben Grael - Nossa família é de origem dinamarquesa e a vela é um dos esportes mais praticados na Dinamarca. Meu avô, Preben Schmidt, foi um dos precursores do esporte no Brasil e influenciou toda a família. Meus tios, Erik e Axel Schmidt, foram tricampeões mundiais da classe Snipe (décadas de 50 e 60) e, desde muito cedo, nos repassaram as técnicas que foram decisivas para o sucesso da minha carreira e do meu irmão Lars. Também meu pai, Dickson Grael, foi um grande incentivador do esporte no Brasil e minha mãe, Ingrid, uma grande atleta. Portanto, o esporte e a vela estão no nosso sangue e já influenciam a geração dos nossos filhos.

Fala Criança - Você sofreu algum tipo de preconceito no início da carreira?

Torben Grael - Preconceito é uma palavra forte mas, de certo modo, foram muitas as dificuldades. Comecei a competir em uma época que poucos atletas, fora do futebol e do boxe, podiam se dedicar de uma forma profissional. Fui um dos primeiros atletas no país a viabilizar a carreira com base em patrocínios. Até lá foi tudo muito difícil: competir em alto nível, em igualdade de condições e sem meios financeiros. Enfrentamos muitas polêmicas, pois havia a visão de que o "atleta amador" não poderia receber apoios financeiros. Ora, isso só servia para elitizar o esporte, pois quem poderia participar das competições? Só aqueles que contassem com recursos próprios. O ônus de ser precursor é ter que desbravar caminhos. Acho que estamos cumprindo esse papel que é deixar um cenário mais fácil de ser percorrido aos novos velejadores. Hoje, todo o nosso esforço é no sentido de tornar o esporte mais conhecido e praticado entre os brasileiros. O Projeto Grael foi criado com essa finalidade.

Fala Criança - Você tem alguma decepção em relação a carreira?

Torben Grael - Sou muito feliz com tudo o que conquistei até agora e muito esperançoso quanto ao futuro. Os resultados positivos nos dão projeção e sentimento de sucesso, mas as derrotas também nos ensinam muito. Portanto, mesmo nas situações adversas, meu foco está nos aspectos positivos.

Fala Criança - Qual a maior dificuldade que você enfrentou na Olimpíada de Atenas?

Torben Grael - Uma competição olímpica carrega um forte componente de patriotismo, fazendo com que as cobranças sejam maiores. A partir dos resultados que já alcançamos é natural que haja uma expectativa muito grande em relação à nossa atuação, mas meu proeiro Marcelo Ferreira e eu, já estamos acostumados a enfrentar essa situação. A homenagem que o Comitê Olímpico me concedeu, de permitir minha entrada no Estádio Olímpico portando a Bandeira Nacional, foi uma experiência que nunca vou esquecer.

Fala Criança - O que você acha do Pan no Rio de Janeiro?

Torben Grael - É uma grande oportunidade para o esporte brasileiro e para os nossos dirigentes mostrarem que são capazes de organizar eventos dessa importância. Isso é fundamental para um país que almeja sediar, no futuro, uma Olimpíada. Resta torcer para que a competição seja mesmo um sucesso. Um evento desse porte também promove investimentos em infra-estrutura esportiva, permitindo maior acesso da população ao esporte e à formação de um número maior de atletas. A chance de surgirem grandes nomes se torna maior e, a partir daí, os resultados do Brasil tenderão a melhorar.

Fala Criança - Qual a regata que você mais gostou?

Torben Grael - Cada desafio vem a seu tempo e tem seu gostinho especial. Claro que as medalhas olímpicas dão um grande reconhecimento e satisfação. Mas outros resultados como os títulos mundiais e as participações que tive na America’s Cup são igualmente importantes. Agora, estamos nos lançando num desafio que pode ser um grande marco para a vela no Brasil. Estamos nos preparando para competir na Volvo Ocean Race, uma regata de volta ao mundo. Essa é a primeira vez que o Brasil consegue viabilizar uma tripulação para uma competição dessa importância e, por isso mesmo, o barco se chama: BRASIL 1. A regata e a rotina a bordo poderão ser acompanhadas, por todos, via Internet e ao vivo. Será uma grande experiência. Bons ventos para todos!