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Se você não
está preparado para saber como é a vida real,
então não leia estes depoimentos. Eles foram
feitos por crianças que vivem nas chamadas áreas
de risco da cidade do Rio de Janeiro. Elas expressam em seus
relatos a realidade de suas vidas, o dia-a-dia das comunidades
e como percebem este mundo a sua volta. Nestes textos não
há a ficção de um mundo idealizado, mas
a clareza crua de uma verdade que muitos preferem desconhecer:
A desigualdade social ameaça a infância.
“Na comunidade
Santa Marta, onde eu moro, vejo crianças de oito anos
ou menos, fumando, roubando, meninas bem novinhas, crianças
já grávidas. Dependendo de quem está
comandando, o morro tem problemas com a cor da roupa, como
por exemplo: No Terceiro Comando, não se pode usar
roupa vermelha por causa do Comando Vermelho. E o Comando
Vermelho não deixa subir no morro, pessoas estranhas,
e se subir, eles atiram. Eles grampeiam os telefones para
saberem se estão dando informações sobre
o morro. O lado bom é que existem pessoas que tem consciência
e fazem cursos para as crianças, como:Vôlei,
futebol, catecismo, judô, boxe, aula de danças,campeonatos,
festas, muitas palestras sobre drogas, DST, e muitas outras
coisas.”
Ana e Isa,
12 anos
"Eu moro no
Chapadão há 5 anos, lá encontramos coisas
ruins e boas. As ruins são como no dia que eu cheguei
em casa e estava tendo tiroteio. Quando amanheceu o dia, tinha
um homem morto em frente a minha casa. Lá onde eu moro,
tem uma Boca de Fumo e lá tem várias crianças
cheirando cola, maconha, crack. E as coisas boas são
muitas poucas, pelo menos eu não lembro de nada, a
não ser que lá, já tem ônibus com
ar-condicionado, mas eu tenho que pagar passagem, porque só
entram 5 passes e, quando eu entro no ônibus, ele já
está lotado. Lá tem também metrô
e trem, mas a maioria é Kombi".
Ana Luiza,
13 anos
"Lá
na Rocinha, é um bairro muito legal, mas às
vezes acontecem coisas ruins, como tiros, venda de maconha
e cocaína. Quando a polícia invade, todos os
moradores têm que ficar dentro de casa, se não
podem ser uma vítima de bala perdida. Ah! Lá
também tem muitas coisas boas e, claro, lá tem
parques de diversão e você nem precisa sair para
comprar roupas, sapatos, materiais, ir ao dentista e várias
outras coisas boas que você pode encontrar lá".
Raul, 12
anos
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