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“ Existe
um lugar totalmente esquecido, e que, por sinal, não
está no mapa. Um lugar onde o transporte é precário,
onde idosos e estudantes criam raízes nos pontos de
ônibus. Um lugar onde o tráfico está dominando.
Pessoas inocentes são abordadas por policiais e bandidos,
tirando nosso sossego, nossa liberdade e cidadania. É
difícil ter alguma notícia sobre esse lugar.
Mas quando aparece, é chamado de favela. Um lugar onde
não pode ter um show, uma diversão, por falta
de incentivo e de união. Mas também nesse lugar
existem pessoas guerreiras, amigas e que se preocupam com
os outros...” (André Luís Fortunato dos
Santos, 17 anos, comunidade de Mangariba/Santa Cruz)
“A violência
é uma coisa horrível. Espero que você
não siga este caminho. Um exemplo da violência
é a questão das drogas. É uma coisa que,
quando você vai experimentar, ela não pára
de te perseguir e você tem que ter muita força
para superá-la. Outro exemplo é o assalto. O
assalto é um tipo de coisa que os bandidos fazem para
ter dinheiro. A maioria dos assaltos acaba em gente morta,
ferida e muito mais....” (Wellington Cardoso, 13 anos,
Diego Wesley, 12 anos, Everton da Silva, 12 anos, Comunidade
de Vila Vintém/Realengo)
“A violência
é uma coisa ruim porque leva à morte. As pessoas
se viciam em drogas e aumenta a violência no mundo...
Eu quero paz no Brasil. Paz, amor, amizade no mundo. Paz,
paz no Brasil, paz.” Carlos Alberto da Silva de Assis,
10 anos, Comunidade de Vila Vintém/Realengo
“... Eu moro
num bairro em que garotos usam drogas. Tem garotos de nove
anos, dez anos, quinze anos, dezesseis anos, vinte anos, treze
anos – e eles passam pelos quintais de todo mundo...”
(Cíntia Rodrigues dos Santos, 10 anos, Comunidade do
Periquito/Realengo)
“Eu me sinto
revoltada, porque a minha comunidade só aparece na
mídia quando tem uma guerra e morre alguém.
Só assim que a minha comunidade sai na mídia.
Eu queria que a minha comunidade aparecesse na mídia,
mas mostrando coisas boas. Porque na minha comunidade também
tem coisas e pessoas boas.” (Raquel, 17 anos, Comunidade
da Árvore Seca/Lins)
“A violência
ocorre em todos os lugares do mundo, principalmente nas favelas.
Estão morrendo muitas pessoas que não têm
nada a ver com essa violência. São pessoas de
bem, que trabalham o mês inteiro para ganhar o seu salário,
e vivem com essa violência. Os filhos dessas pessoas
nem podem mais brincar em paz por causa da violência.
Esta passa na televisão e nos jornais. Não tem
como as crianças não conviverem com a violência
do mundo atual. As crianças vêem essas notícias,
crescem, praticam essa violência e acabam morrendo pelo
mesmo motivo das notícias que viram no passado”.
(Jorge Henrique, 17 anos, Comunidade da Árvore Seca/Lins)
“A violência vem tomando o Rio de Janeiro, como
o Brasil inteiro. Como no caso Tim Lopes, ele subiu o morro
e foi pego e morto pelo bandido mais procurado no Brasil,
o Elias Maluco. Por exemplo, um colega estava indo para o
colégio e a polícia militar subiu o morro. Trocou
tiros com os bandidos. Ninguém morreu, mas poderia
ter matado um morador inocente. Eu fico indignado com o mundo
que só tem olhos para o povo rico, e o povo pobre fica
na saudade.” (Flavio Roberto, 14 anos, Comunidade da
Árvore Seca/Lins)
“A meningite
ataca crianças. Uma tosse em cima da outra. A sorte
é quando são atendidas rapidamente, mas quem
não teve sorte foi a criança que morreu no Lins
de Vasconcelos. Também por causa da meningite. Quando
alguém morre na minha comunidade eu fico triste e rezo.”
(Felipe, 14 anos, Comunidade da Árvore Seca/Lins)
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