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ISER apresenta
pesquisa no Seminário sobre Crianças Afetadas
pela Violência Armada Organizada
O número
de mortes de menores de 18 anos provocadas por arma de fogo
no estado do
Rio é maior do que em algumas regiões do mundo
que satisfazem a definição tradicional de “conflito
armado” ou “guerra”. No conflito armado
entre Israel e Palestina, por exemplo, morreram 467 menores
entre dezembro de 1987 e novembro de 2001, enquanto que no
mesmo período, apenas no município do Rio, morreram
3937 menores por ferimentos à bala. Esse é um
dos dados da Pesquisa Crianças Combatentes em Violência
Armada Organizada: um estudo de crianças e adolescentes
envolvidos nas disputas territoriais das facções
de drogas no Rio de Janeiro, realizada pelo ISER (Instituto
Superior de Estudos da Religião), com apoio do Viva
Rio. A pesquisa será apresentada no Seminário
sobre Crianças Afetadas pela Violência Armada,
que será realizado na próxima segunda, 09 de
setembro, das 9h às 17h, no Excelsior Copacabana Hotel,
Avenida Atlântica, 1800.
A pesquisa, coordenada pelo antropólogo inglês
Luke Dowdney, revelou semelhanças entre a vida de crianças
das facções de drogas no Rio de Janeiro e crianças
que vivem em guerra, conhecidas tradicionalmente como “crianças
soldados”. No Seminário, os resultados serão
discutidos com especialistas nacionais e internacionais na
área de crianças em risco e violência
armada.
O Seminário contará com a participação
do General Romero Dallaire das Forças Armadas Canadenses,
que é conselheiro do Ministério da Cooperação
Internacional para assuntos referentes a crianças afetadas
pela guerra e assistiu a um dos mais terríveis genocídios
da história da humanidade, entre os Hutus e os Tutsis;
de Rachel Brett, Representante de Direitos Humanos e Refugiados
do Escritório Quaker das Nações Unidas
e Presidente do Comitê de Conselheiros da Coligação
para Acabar com o Uso de Crianças Soldados; do sociólogo
colombiano Ivan Ramirez, que trabalha como consultor de agências
de cooperação em temas de conflito, violência
e paz na cidade de Medelin.
Também participam do Seminário a advogada e
jornalista Rebecca Peters, Diretora da Rede de Ação
Social sobre Armas Leves (IANSA), que dirigiu o Programa de
Prevenção de Violência Armada do Open
Institute Society da Soros Foundation e coordenou a bem sucedida
campanha de proibição de armas automáticas
realizada na Austrália; além de representantes
do Human Rights Watch, da ONU, Save the Children Sweden, do
Escritório Regional da UNICEF na América Latina
e no Caribe, do Viva Rio, do Grupo Cultural Afro Reggae, entre
outros.
O encontro pretende abrir o debate sobre crianças afetadas
pela violência armada no sentido de definir essa situação
no Rio e em outros países que não vivem em guerra,
mas sofrem problemas semelhantes.
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